Dia de Campo no IFMT Barra do Garças reúne cerca de 130 pessoas para difundir produção sustentável de baixo custo

O IFMT Campus Barra do Garças, em parceria com a The Nature Conservancy (TNC) e a Aliança SIPA, realizaram na […]

O IFMT Campus Barra do Garças, em parceria com a The Nature Conservancy (TNC) e a Aliança SIPA, realizaram na manhã do último dia 23 de maio o Dia de Campo: Produção Integrada de Sistemas Agropecuários (PISA) na prática. O evento gratuito aconteceu no próprio campus, e contou com a participação de aproximadamente 130 pessoas, entre pequenos, médios e grandes produtores rurais, técnicos em ciências agrárias, professores, estudantes de zootecnia, agronomia e medicina veterinária. Teve ainda café da manhã, almoço e apresentação musical para os participantes.

O propósito foi levar conhecimento científico diretamente à comunidade rural, com foco em técnicas regenerativas e de baixo custo para aumentar a produtividade de leite e carne, recuperar pastagens degradadas e melhorar a saúde do solo.

“O objetivo do Dia de Campo é levar o conhecimento que a gente está construindo aqui dentro do campus, no âmbito do projeto Terra Viva, para a comunidade. Diferente de uma publicação científica ou jornada acadêmica, o evento tem o objetivo de conversar e comunicar diretamente com os produtores e produtoras”, destacou Alexandre Rauh, servidor do IFMT Campus Barra do Garças e um dos organizadores do evento.

Metodologia acessível e estações práticas

A programação incluiu palestra sobre a metodologia PISA (Produção Integrada de Sistemas Agropecuários), que integra lavoura, pecuária e floresta, e duas estações práticas. Na primeira, os participantes aprenderam sobre o pastoreio rotatínuo de pastagem baseado na altura da planta, técnica sem custo inicial que melhora a ingestão de matéria pelos animais e acelera a recuperação do pasto. Na segunda estação, foi demonstrada a importância da diversificação de culturas para a fertilidade do solo.

Segundo Alexandre, o manejo de altura da pastagem é um exemplo de tecnologia acessível à agricultura familiar: “Não tem custo nenhum. O produtor aprende o melhor momento de entrar com os animais. A altura certa aumenta a ingestão de matéria e favorece a recuperação das plantas, elevando a produção de leite e carne.”

Participantes destacam aplicação prática na propriedade

A servidora do IFMT e produtora rural Mirian Lopes e seu marido Roberto Lopes Claudio, também produtor rural, participaram do evento e avaliaram positivamente a experiência. Mirian destacou o interesse em conhecer técnicas sustentáveis de baixo ou nenhum custo. A prática que mais chamou sua atenção foi o tamanho ideal do capim para a alimentação do gado. “Três técnicas que eu e meu esposo aprendemos no curso estaremos colocando em prática o mais breve possível em nossa propriedade”, afirmou Mirian. Para ela, eventos como esse são de grande importância para a região, “principalmente para os pequenos proprietários de terra, por não terem funcionários qualificados trabalhando diretamente na propriedade”.

Mirian também elogiou a organização do Dia de Campo: “Foi muito bem organizado, e as palestras e a aula prática foram de muito bom proveito, pois aprendi coisas funcionais e fáceis de serem colocadas em prática em minha propriedade.”

Os agricultores Geracina Neto da Silva e Edvaldo Barbosa de Sousa, pequenos produtores do sítio do Porto Feliz, distrito Vale dos Sonhos, também compartilharam suas experiências. Embora já tivesse ouvido falar das técnicas do PISA e participado de alguns cursos anteriores, Geracina destacou que a edição deste ano superou as expectativas.

“Os benefícios apresentados hoje aqui podem ajudar com certeza na nossa propriedade, nos dando suporte, mais conhecimento e mais profissionais da área que podem nos levar a mais conhecimento”, afirmou. Para ela, o acesso à assistência técnica muda significativamente a realidade do produtor: “O que muda mesmo para nós é o novo plano de conhecimento, o novo plano de suporte das tecnologias.”

Resultados e próximas edições

O evento também abordou como a integração lavoura-pecuária-floresta reduz a dependência de insumos externos, aumenta a renda e fixa a família no campo, pilares da sustentabilidade econômica e ambiental. Uma das principais dificuldades na região, a pastagem degradada, foi apontada como foco central da metodologia.

O IFMT já confirmou mais dois Dias de Campo: um no segundo semestre de 2026 e outro no primeiro semestre de 2027, além de dois cursos de extensão nos mesmos períodos.

“A mensagem que fica é que aliar conhecimento científico e soluções baseadas na natureza é possível. A saúde do solo é a saúde das plantas, dos animais e dos seres humanos. Tudo é um só sistema”, concluiu Alexandre Rauh.

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